Toda empresa tem aquele conjunto de tarefas que ninguém gosta de fazer: confirmar horário, copiar dado de uma planilha para outra, responder pela décima vez a mesma pergunta no WhatsApp, montar o relatório do fim do mês. É trabalho que consome hora, cansa a equipe e não sobra tempo para o que realmente importa. Foi olhando para esse tipo de rotina que Miguel Dendasck construiu o seu trabalho.
Engenheiro de software e fundador da Dasckup, Miguel se especializou em uma pergunta simples: o que dessa rotina a máquina pode fazer sozinha? A resposta, na maioria das empresas, é “muito mais do que se imagina”.
A formação em engenharia de software dá a Miguel o lado técnico, mas ele faz questão de dizer que o problema quase nunca é técnico. “A tecnologia hoje é a parte fácil”, costuma repetir. “O difícil é entender o processo da empresa e desenhar a automação do jeito certo.” Por isso, antes de montar qualquer fluxo, ele mapeia como o trabalho acontece de verdade, com todas as exceções e os improvisos do dia a dia.
É esse olhar que separa uma automação que dura de uma que quebra na primeira semana. Em vez de sair ligando ferramenta, Miguel começa pela dor mais cara do negócio, resolve bem, mede o resultado e só então avança para a próxima.
Uma das marcas do trabalho de Miguel é a variedade. Ele aplica automação e inteligência artificial em contextos bem diferentes: clínicas que sofrem com faltas e agenda desorganizada, times comerciais que perdem lead por demora na resposta, atendimento no WhatsApp que não dá conta do volume, rotina financeira travada em planilha. Muda o setor, mas a lógica é a mesma: achar o repetitivo e tirar da mão das pessoas.
Para isso, ele combina inteligência artificial com ferramentas de automação como o n8n, que conectam os sistemas que a empresa já usa sem precisar programar tudo do zero. O resultado é um fluxo sob medida, que fala a língua daquele negócio.
Segundo Miguel, o que abriu essa porta para a pequena e média empresa foi o barateamento da inteligência artificial. Tarefas que antes exigiam um time inteiro de tecnologia agora cabem em um fluxo bem montado. “O que trava a maioria das empresas não é mais a tecnologia, é a falta de conhecimento sobre o que dá para fazer”, afirma.
É aí que entra a segunda frente do trabalho dele: ensinar. Além de construir automações, Miguel montou uma trilha de cursos para que as próprias equipes aprendam a operar a IA no dia a dia, sem depender eternamente de terceiro. A ideia é deixar a empresa autônoma, não refém.
Para quem olha a automação de longe achando que é coisa de empresa grande, o recado é direto: comece pequeno. Escolha uma tarefa chata, resolva ela primeiro e deixe o resultado falar. “Não precisa automatizar tudo de uma vez”, diz Miguel. “Precisa começar.”
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